June 2010
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Pele...
A linguagem é uma pele: esfrego minha linguagem contra o outro.
É como se eu tivesse ao invés de dedos, ou dedos na ponta das palavras.
Minha linguagem treme de desejo.
A emoção de um duplo contato: de um lado, toda uma atividade do discurso vem, discretamente, indiretamente, colocar em evidência um significado único que ‘é eu te desejo’, e liberá-lo, alimentá-lo,...
Posição...
Não será dormindo de conchinha que revelamos amor na primeira noite. A posição é excessivamente controlada. Posada. Tem até lógica: prevenir o roubo do lençol. Mas a cena não ultrapassa a praticidade romântica. É um pouco infantil, uma regressão ao ventre. Nesta hora, ninguém precisa mais de posições fetais. E do colo de mãe. Amor se revela quando os dois vão dormir e se acordam amontoados. As...
“Então, que seja doce..."
“Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce, que seja doce, que seja doce e assim por diante. Mas, se...